terça-feira, 18 de junho de 2013

X-Ray

Trocámos de papéis. Eva a emocional, tornou-se na Eva racional. Eu por minha vez, virei emocional. Enquanto me vejo num reflexo de um espelho que estampa uma felicidade aparente, Eva espreita pela objectiva, racional,  concentrada, detectando o melhor ângulo, a melhor luz, o melhor enquadramento, de modo a captar a essência real e não aparente.
Eva avalia os negativos das fotos. Revela-os.
Enquanto Eva me confidencia, de ar apreensivo, o quão errada estou devido ao meu lado emocional, penso com clareza em como concordo com ela, sem porém tomar a decisão acertada.
- Está à vista, Alice. Como é que és capaz de não ver? A mágoa fez-me ver. A revolta fez-me ver. A injustiça fez-me ver. E tu, que sofres tudo isso na pele, como és capaz de deixar andar?! Acorda!
Desta vez, Eva não está com o seu ar angelical de caracóis largos dourados. Tem um ar carregado, austero. Parece uma femme fatale. Veste de negro, excepto a fita de cetim cor de pérola que lhe segura os caracóis. Sinto-lhe o perfume forte e aromático, Amarige da Givenchy. Tem um ar decidido, como se o seu primeiro objectivo fosse agora convencer-me a fazer o correcto.
Eva conhece-me bem. Consegue sentir que lhe dou razão, mas também detecta o motivo pelo qual não me decido. Cabeça e coração sempre em conflito. Olho para as imagens paradas no tempo, momentos. Bons momentos. Mas não passam disso, de momentos, uma fracção de segundo captada numa imagem que retém um sorriso sem demonstrar efectivamente o que vai na alma.
Eva adivinha os meus pensamentos.
- Ninguém vive de imagens paradas no tempo, de sorrisos forçados ou mesmo sinceros provocados pela circunstância momentânea. Ninguém é 100% feliz, mas a ti? Vejo-te maioritariamente de semblante triste. Não te vejo feliz ou alegre, nem sequer te vejo a sorrir genuinamente. Sabes o que tens a fazer e estás somente a adiar o inevitável. Há seres que não foram feitos para amar mais ninguém a não ser eles próprios. Que pensam acima de tudo neles próprios. Que não são capazes de tecer e seguir objectivos comuns. E tu, minha querida Alice, és tanto, és mais, és melhor. Acredita que  é preferível te sentires só, por estares sozinha, do que te sentires só, por não te saberem acompanhar. Faz um raio x do início ao fim, verás que terás de agir.

1 comentários:

Luís disse...

vais voltar a escrever, aqui?

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