sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Três


Encontro-me na minha cama, no meu palácio, sozinha. Permito-me pensar em ti e rapidamente o meu edredão se torna quente demais. Toco no meu corpo quente que estremece com a minha mão fria. 
Onde andas? Quando fecho os olhos vejo-te num sem numero de situações, de cenários diferentes. É então  que bates à porta. Vejo o teu sorriso mesmo antes de me privares da visão. Puxas-me para ti, decidido, tu comandas, eu deixo. Passas a língua nos meus lábios de forma lasciva e prendes-me os pulsos. Tu comandas, eu deixo. Deixas de me tocar. Sinto que me observas, e sinto mais uma presença no espaço. A gola decotada da minha camisola de malha é puxada para baixo com força enquanto uma boca que  não é a tua se apodera do meu peito. A ti, sinto-te a inclinares-me, queres-me de joelhos. Acedo ao teu pedido sem que a presença me largue o peito. Está ávido por me poder tocar. Sei que é um homem. Sinto-lhe a barba a roçar no peito a cada investida. 

Tiveste o cuidado de colocar uma manta no chão, para meu conforto. Mas a tua delicadeza acaba aí. À medida que vou respirando de forma cada vez mais sôfrega, à medida que me entrego cada vez mais aos sentidos, sinto dois dedos teus a penetrarem-me. Conheces cada saliência interior minha, todos os meus relevos internos ávidos de sentir a pressão do teu toque. O estranho larga-me finalmente e afasta-se por instantes. Oiço-lhe o cinto das calças,  uns ténis a serem descalçados, uma ganga a sair do corpo.

Mas não lhe dou muita importância. Recebo o teu toque no meu pescoço, o teu hálito quente no meu ouvido, sem parares de me penetrar. Sentes as  minhas ancas a moverem-se ao mesmo compasso da dança dos teus dedos. "Isso minha bailarina. Dança para mim Alice..." - O estranho volta. Sinto-lhe o sexo duro junto do meu rosto, mas rapidamente o afastas. - Já te divertiste por hoje. Agora ela é apenas minha. Senta-te, assiste e goza apenas com a visão.
Sorrio. Tu comandas, eu deixo. Oiço o estranho fazer um esgar, mas obedece-te. Sinto-o sentar-se no sofá, observa-nos excitado. Voltas a mim. "Um dia também o terás, Alice. Mas não hoje. Hoje és apenas minha e dos sentidos que te afloram a pele." - Mordes-me o pescoço, beijas-me e trincas-me o lábio inferior enquanto me agarras no fundo das costas num abraço que me puxa para ti. Continuo de pulsos algemados atrás das costas, louca por não poder tocar-te, louca por sentir o teu cheiro e a tua pele quente em mim. Trazes os teus dedos à minha boca enquanto os chupo, ávida do meu sabor, ávida de te sentir.
E sinto. Elevas-me ligeiramente agarrando-me na anca, sinto-me escorrer no impasse de te sentir duro junto a mim. E eis que chega o momento. Tocas-me com o sexo, sentes toda a minha excitação a escorrer por ti, imediatamente antes de entrares de uma só vez, com uma só estocada, gemendo de forma audível, fazendo com que te engolisse todo. Escorregas para fora e para dentro ao mesmo tempo que te vais roçando em mim. Escutas a minha respiração, os meus gemidos, a dança de ancas cada vez mais acelerada. Notas-me o peito excitado, deixando antever o desfecho esperado. Todos os meus sentidos se concentram agora no meu baixo ventre. As estocadas fortes, o roçares-te em mim, a respiração que fala por mim e me denuncia  num orgasmo próximo. "És a minha princesa, a minha bailarina, mas neste preciso momento és a minha puta. Vem-te para mim, deixa-me encharcado com o teu prazer, sente-me cada vez  mais forte, mais rápido, mais fundo! Vem-te Alice!" - Tu comandas, eu deixo. À medida que o meu corpo reage ao orgasmo com espasmos involuntários e gemidos audíveis, oiço o estranho vir-se também, no deleite da visão que lhe proporcionamos. Penetras-me apenas mais duas vezes, mais fortes ainda, e oiço o teu grito grave, de prazer contido até à ultima. Em seguida, colas-te em mim, sem saíres do meu interior, beijas-me de forma intensa e abraças-me suspirando. Senti a tua falta, mas não te digo.
O silêncio é quebrado pelo estranho. Oiço-o vestir-se e parar diante de nós. - Sai e espera por mim no carro - Ordenas-lhe. O estranho obedece. Sinto o seu toque numa breve festa no meu rosto e afasta-se fechando a porta atrás de si. A sós, libertas-me os pulsos, retiras-me a venda do rosto para trocarmos aquele olhar cúmplice. "Senti a tua falta, Alice." - Também senti a tua falta, mas não te digo. Entrego-me ao teu abraço terno e retribuo-te com um sorriso. 

Tu comandaste, eu deixei. Mas agora é tempo de ires. Passo-te com a língua pelos lábios e a mão no desenho das tuas sobrancelhas. Acompanho-te à porta e dás-me um último beijo, daqueles que sabes serem avassaladores, que me viram do avesso. Mas afasto-te e empurro-te para fora. Tu comandaste, eu deixei. Mas por agora é só.
Fecho a porta sem espreitar ou olhar para trás. Abro a torneira do chuveiro, visto o roube turco enquanto o vapor começa lentamente a invadir o espaço. Olho-me no espelho. Tenho o rosto ruborizado e o corpo gozado.
Sorrio e entro no duche. Sinto a água quente a relaxar-me os músculos e fecho os olhos, pensando com curiosidade quem seria o estranho voyeur que trouxeste ao meu palácio.

3 comentários:

Semi-Desconhecido disse...

Bela Alice. Como senti a falta do teu cheiro, do teu toque, do teu beijo, do teu sabor.
Reavivaste-me a memória do teu corpo e do seu calor. Do teu gemido no meu ouvido, das tuas unhas nas minhas costas. Tenho cede de ti! De te beijar "daquela" maneira.
De te sentir encharcada, como se uma descarga de uma barragem se tratasse.
Vou invadir o teu palácio, quando menos esperares. Vou apanhar-te desprevenida, a dormir na cama e quando menos esperares... sentes uma respiração quente no teu ouvido. Não te assustas, pois reconheces o meu cheiro e sem abrires os olhos, rendes-te aos meus braços...

Vicious Project disse...

Deliciosa descrição.. Deixas-me a passear pelos recantos do quadro que descreves.. Perdido na acção que se desenrola..
Beijos
Viciouss

O Santo Diabinho disse...

Alice

Um novo elemento revela-se no meio da narração. Pouco importa as palavras escritas, a descrição de eventos, o mergulho dado na narrativa. Toda a essência se centra numa pequena palavra de quatro letras escolhida para o título.

What is the most resilient parasite Alice?
A bacteria?
A virus?
No

It's an IDEA...
A single idea from the human mind can build cities.
An idea can transform the world and rewrite all the RULES.

Beijo-te **

o Santo Diabinho
http://desejosescaldantes.blogspot.com/

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